Por Tereza Cristina de Oliveira*
O Sistema Firjan, através da Escola de Joalheria do Senai-RJ, promove em comemoração aos 100 anos do Theatro Municipal, a exposição “O Centenário de uma Joia”, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A exposição mostra jóias criadas por 40 alunos e docentes da Escola de Joalheria do Senai-RJ que se inspiraram nas formas imponentes e exuberantes da arquitetura centenária do Theatro do Municipal caracterizada pela profusão de adornos em sua decoração interna e externa, esta marcada tanto pela riqueza dos ornatos, quanto pela variedade de materiais aplicados nos quais observam-se sutis sobreposições cromáticas, nas cantarias, mármores, bronzes e elementos de cobre. Segundo a curadora da exposição e coordenadora da Escola de Joalheria, do SENAI-RJ, Denise Berman “A idéia do projeto surgiu da observação que o Theatro Municipal é um grande porta jóias porque para qualquer lugar que se olhe é possível ver uma jóia num lustre, num afresco, parede, no chão ou na escadaria. É uma arquitetura tão inspiradora que nos motivou a transformá-la em jóias” Para a escolha dos temas foram feitas várias visitas guiadas onde os alunos tiveram a oportunidade de ver e fotografar os detalhes artísticos da arquitetura bem de perto. Tiveram acesso ao palco onde puderam observar outros ângulos diferentes dos vistos da platéia. Além disso, pesquisaram inúmeros outros detalhes originais que se revelaram através das várias restaurações feitas no Theatro. A partir desse trabalho, cada um definiu a sua criação artística traduzidas em anéis, pulseiras, ornamentos para a cabeça, broches e colares.
A aluna e designer Maria Cristina Lopes foi apresentada ao Theatro Municipal pela dança, tornando-se mais que frequentadora, uma admiradora enlevada de suas formas majestosas, suas cores, sua atmosfera e sua dignidade. Para a designer criar uma peça que traduzisse tantas impressões foi um desafio que só pode ser superado com o auxílio do próprio Theatro. No início, as letras iniciais, em relevo, chamaram sua atenção, e a idéia de implantar o traço leve e curvilíneo das letras na dureza do metal foi ganhando força e forma. Além disso, o monograma metálico tornaria inequívoca a identidade do homenageado. E como não faltassem possibilidades de uso para esse componente, ela considera que essa foi a etapa mais difícil do trabalho, pois teria que conceber uma única peça capaz de incorporar essa multi-potencialidade sem se tornar pesada ou agressiva.
Segundo Maria Cristina, “a ambiência secular que me invade, sempre que circulo pelo foyer, inspirou-me uma peça clássica, um colar marcante, que emoldura a linha de base do pescoço, com extensões que recobrem grande parte do colo, ombros e costas. Para compor o conjunto busquei na escadaria principal a altivez e o onix verde, nas pinturas e mosaicos o dourado, nas sancas e volutas as curvas suaves e os relevos. Procurei alcançar a mesma beleza e força que nosso Theatro expressa, ao reunir estes pontos de destaque na peça, que, sob o signo das artes, batizei de “‘Opera”.foto2 (1)foto2
O Theatro Municipal do Rio de Janeiro ostenta obras dos mais renomados artistas brasileiros da época de sua construção. Pinturas de Eliseu Visconti, Henrique Bernardelli e Rodolfo Amoedo e esculturas de Rodolfo Bernardelli. O restaurante Assirius, no subsolo do teatro, tem a particularidade de ter uma decoração em estilo assírio. Mas, foi no chão que o aluno e designer Victor Eduardo encontrou inspiração. “Diante da beleza de sua arquitetura, das suas obras de artes sublimes, foi no piso que avistei uns ladrilhos coloridos, parecendo uns mosaicos geométricos. Descobri na mesma hora que essa parte seria referência para minha criação” revela Victor que criou o colar de prata “Ladrilhos do Espetáculo” com formas geométricas e aplicação de resina colorida para reproduzir as cores dos ladrilhos que o inspiraram. Victor decidiu que a jóia seria uma peça conceito, ou seja, de preferência uma jóia com escalas maiores, que chamasse atenção e que não necessariamente fosse usável. “Fiz questão que o colar fosse “Poderoso”, que toda sua estrutura tivesse formatos geométricos, com cores contrastando entre si e ao mesmo tempo em perfeita harmonia. Resumindo, o colar tinha que ser um “Espetáculo”. Concluiu o designer.
Os metais mais utilizados pelos 40 alunos do SENAI-RJ, na confecção das jóias, foram a prata, o cobre e o ouro adornados por pedras como esmeraldas, rubis, cristais, turquesa, zircônia e rubelita, mas a criatividade dos designers foi além das preciosidades e utilizou também materiais simples como o acrílico e o nylon. Denise esclarece que a idéia do projeto era criar jóias conceituais “a gente acredita que a jóia contemporânea não é feita somente de metais preciosos. É possível agregar valores a materiais simples ou a metais, que nunca foram utilizados, pela criatividade, inovação e pelo designer. É uma nova maneira de ver a jóia. Sair da visão do objeto de consumo, da joalheria para expor numa galeria, num local de arte. É uma manifestação cultural!”
A exposição é inovadora porque é a primeira vez que o Theatro Municipal tem uma coleção de jóias feitas em sua homenagem e a partir de sua arquitetura, portanto vale a pena conferir esse espetáculo de criatividade que ficará até o dia 20 de fevereiro, no Salão Assirius, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, de terça a sábado, de 11h as 17h30, com ingressos a 10 reais. Aos domingos, de 11h as 13h30, com entrada franca.
Informações e agendamentos de visitas guiadas podem ser obtidas pelos telefones 2332-9191 e 2332-9134.
Site: www.theatromunicipal.rj.gov.br
Bilheteria: Av. Almirante Barroso, 14/16 (Prédio Anexo ao Theatro Municipal)
Tels. 2332-9191 / 2332-9134.
*Jornalista Pós-Graduada em Jornalismo Cultural pela UERJ
E-mail: terezaoliver@yahoo.com.br
Uma dos melhores textos sobre este assunto, obrigado por compartilhar.
Grata pelo comentário. Se precisar de uma jornalista, entre em contato. Grata, Tereza Cristina de Oliveira